Assim como em qualquer meio, o ballet clássico também tem lá suas peculiaridades. Herdamos dos russos a obsessão pela simetria e pela padronização. Nos conhecidos ballets brancos (O Lago dos Cisnes, Giselle, La Bayadère), tudo é milimetricamente simétrico: a altura dos braços e das pernas, a distância entre uma bailarina e outra no corpo de baile, a composição coreográfica, a maquiagem, o esmalte, o posicionamento das mãos e da cabeça, as expressões do rosto. Tente encontrar alguma assimetria e você não conseguirá encontrá-la.
Ironicamente, não é isso o que acontece entre os fabricantes de sapatilhas de ponta. Já expliquei aqui que, até os dias de hoje, a fabricação das sapatilhas tem uma característica bastante artesanal. Cada uma é finalizada à mão e apenas parte do processo é fabril. Isso faz com que as sapatilhas apresentem diversas numerações, deixando bailarinas iniciantes e profissionais doidinhas à procura de uma sapatilha de tamanho equivalente. No Brasil, a situação ainda se agrava, pois nossa numeração padrão de calçados difere da americana e européia.
Os fabricantes de sapatilhas de ponta disponibilizam inúmeros tamanhos, larguras e durezas em seus produtos. Não é raro encontrar as letras S, M e W ou até mesmo as indicações X, XX, XXX e XXXX. Todos possuem marcações diferentes que variam não só entre marcas, mas também entre modelos do mesmo fabricante! Por isso, é tão importante identificar os símbolos e as marcações utilizadas pelo fabricante da sua sapatilha na hora de comprá-la, principalmente com a facilidade da internet.
Ainda assim, não é rara aquela sensação de engano. Que atire a primeira pedra à bailarina que nunca pensou: “Poxa… tenho certeza que comprei o mesmo número daquela sapatilha velhinha e que estava maravilhosa no meu pé. Mas por que diabos o mesmo número não deu certo?”. Não… não foi seu pé que inchou. E você também não engordou. O fabricante pode ter simplesmente utilizado um pouquinho mais de cola que o normal ou uma camada a mais de material resistente. Infelizmente, a característica artesanal desse mercado o torna muito vulnerável.
Para tentar minimizar o risco de comparações equivocadas, adaptei a tabela do Perfect Pointe’s Pointe Shoe Fitting Certification Program, curso de formação dos profissionais que ajustam sapatilhas de ponta (os fitter specialists), para a nossa realidade. Além disso, atualizei os modelos das sapatilhas. Muitos deles inclusive já saíram de linha.
É muito importante lembrar que, mesmo dentre modelos do mesmo fabricante, pode haver divergências nos tamanhos. Portanto, verifique se o modelo que você usa possui a numeração padrão do fabricante.
Além disso, vale lembrar que essas tabelas não apresentam 100% de precisão. Elas servem apenas como guias para a aquisição de sua sapatilha e diminuem sensivelmente a chance de erro. Mas lembre-se que o ideal é sempre estar presente para fazer o ajuste correto.
Quem quiser fazer o download das tabelas, clique aqui. E quem tiver informações complementares, pode contribuir mandando um email para pontaperfeita@gmail.com. Com a colaboração de vocês, posso manter as tabelas sempre atualizadas.






3 comentários
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28/01/2011 às 6:45 AM
escrevendo com os pés
Perfeito, muito esclarecedor seu post. Vai ajudar muita gente viu?
Me responda uma coisa, pq usou a frase “Ballet branco”? O que significa?
beijos
01/02/2011 às 11:22 PM
Thaís Gondar
Muito obrigada, querida!
No final do século XIX, o ballet romântico estava em alta. Grandes obras foram criadas nesta época, como O Lago dos Cisnes, Giselle, Les Sylphides, La Bayadère. Todos eles possuem a temática dos seres etéreos, personagens em que exigem que a bailarina quase flutue no palco. O termo “ballet branco” é antigo e faz referência a todos os repertórios em que os tais seres mágicos vestem branco… os cisnes encantados, as willis, as sílfides e as sombras. É apenas nomenclatura. Nada além.
Beijão!
17/04/2011 às 11:57 PM
Erika
Por favor estou procurando a conversao para a sapatilha Gaynor Minder dos n 36 e 37.. . se alguem souber escreva! Obrigada!!!