Tenho recebido centenas de perguntas a respeito do início das atividades nas pontas. E embora o primeiro post “Você está pronta para subir nas pontas?” explique porquê cada bailarina tem seu tempo, ele parece não ter sido muito útil.
“Minha professora diz que tenho o pé forte. Estou pronta?”
“Tenho 14 anos e minha professora diz que minhas aulas de pontas só começarão no semestre que vem. Estou pronta?”
“Minha professora não deixa, mas em casa consigo danças nas pontas. Estou pronta?”
Pra todas, minha resposta é sempre a mesma. Depende! Depende de uma série de fatores físicos e comportamentais que sou incapaz de avaliar pelo blog. Por esta razão, parei de responder as perguntas e resolvi compartilhar um outro vídeo.
O professor Charles Maple, do Maple Conservatory of Dance, explica direitinho porque o trabalho de pontas não se inicia para todas as bailarinas em determinada idade. Há uma série de requisitos que devem ser avaliados antes de iniciar esse trabalho. Seja para bailarinas adultas ou adolescentes.
E para facilitar a compreensão, traduzi o vídeo e o transcrevi abaixo.
Pré-requisitos para o trabalho de pontas (por Charles Maple)
Iniciar o trabalho de pontas é um dos maiores ritos de passagem de uma aspirante a bailarina. É algo no qual várias alunas mantêm o foco e é um dos grandes grandes obstáculos no caminho de se tornar a aluna mais nova e entrar para o grupo das alunas mais velhas.
Em várias performances de ballet, as bailarinas principais geralmente dançam nas pontas. E há algo de tão gracioso que todas as alunas desejam ser como aquela linda jovem no palco.
O trabalho de pontas é muito mais árduo do que parece e pode ser também bastante perigoso para jovens alunas cujos pés ainda não são fortes o bastante e não apresentam a anatomia do tornozelo ainda apropriada, ou ainda não possuem habilidade técnica suficiente para controlar o resto do corpo enquanto estão dançando.
Na verdade, é uma combinação entre maturidade física e técnica para controlar os pés e os tornozelos o que determina se a jovem bailarina está pronta para subir nas pontas.
Mesmo garotas que estudem na mesma escola, façam as mesmas aulas e estejam na mesma idade, não é raro que algumas estejam prontas antes que outras. Esta prodigalidade possui um determinante genético. Porém, normalmente o que se considera é a capacidade da aluna em atender corretamente às correções em sala, bem como o fato de já estar fisicamente forte. Considerando todos estes pontos, é que o professor avaliar se a aluna está apta ou não para manter a concentração mesmo utilizando os sapatos de ponta.
Aos 12 anos, dependendo da maturidade da menina, as porções cartilaginosas dos ossos dos pés, que são ainda macias durante a infância, tornam-se mais rígidas e as chances de lesões diminuem bastante. Entretanto, isso não significa que toda aluna está pronta para subir nas pontas aos 12 anos de idade. Vamos obserar alguns pré-requisitos que determinar a maturidade para o trabalho de pontas.
Permuta dos dedos dos pés
Tentar levanter os dedos dos pés separadamente é um excelente método para avaliar o controle consciente da pequena bailarina sobre os músculos dos seus dedos.
Arquear a planta do pé
Na planta dos pés, há pequenos músculos cujo controle é essencial para subir corretamente na meia-ponta e em seguida nas pontas.
Extensão do Tornozelo
Uma extensão de tornozelo adequada é essencial para que a bailarina seja capaz de subir nas pontas. A extensão ideal do tornozelo para o trabalho de pontas é de 0 a +5 graus.
Extensão do dedão
A facilidade em empurrar o dedão do pé aplicando uma pressão sobre ele e não encontrar restrições durante o movimento é essencial para o trabalho de pontas.
Outras considerações
Os principais aspectos que devem ser levados em conta para avaliar a capacidade das alunas para o trabalho de ponta são: manter o controle do corpo, da postura, o controle funcional, o controle dos pés, a idade, o estágio de desenvolvimento, a mobilidade, a altura, o peso e, obviamente, a maturidade da pequena bailarina.
O uso das pontas não é anatômico. Pelo contrário, ele traz um enorme potencial de lesões. Então, o importante é zelar pela saúde da bailarina e não causar antecipar problemas desnecessariamente, não é mesmo? Prevenir é melhor que remediar!














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