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2012 foi um ano que começou tenso. Já no primeiro dia útil do ano, foi marcada uma cirurgia para a retirada de um calo ósseo do tornozelo esquerdo. Após as apresentações do final do ano de 2011, aquela tendinite, que achava que existia há 15 anos, começou a piorar… e piorar… e piorar com o uso frequente da sapatilha de ponta. Resolvi então procurar um ortopedista especialista em articulações do pé. Ele foi preciso em diagnosticar uma síndrome do impacto posterior do tornozelo, muito comum em bailarinos, jogadores de futebol e ginastas.

A cirurgia foi um sucesso! Mas precisei ficar quatro meses sem calçar as sapatilhas e à base de fisioterapia até a recuperação total.

2012 foi um ano de grandes amizades. Voltei a dançar em abril. E a convite da minha então amiga virtual Ana Yazlle, entrei para seu grupo de bailarinas adultas. Foram muitas as aulas, ensaios, apresentações. Não só conheci a Ana, como também outras mulheres com as quais compartilhei sonhos e frustrações do mundo da dança.

2012 foi também um ano de perdas. Em junho, a prefeitura de São Paulo fechou as portas da escola de ballet Studio Kitty Bodenheim, que funcionava há mais de 50 anos. A escola da Dona Kitty era um templo da dança, um lugar onde foi formada uma família imensa de amantes da dança de várias gerações!

Em julho, tirei férias e fui aproveitar, em Brasília, o carinho da família e as aulas do XXII Seminário Internacional de Dança. Voltei à adolescência, quando minhas únicas preocupações eram ir à escola e estudar ballet. Frequentei aulas de técnica clássica, dança a caráter, repertório, pontas (finalmente podia usá-las!), barre a terre, metodologia de ensino da dança…

Mas nada disso marcou tanto 2012 como a possibilidade de bancar um sonho. Minha amizade com a Ana, juntamente com nosso amor à arte, se transformou em sociedade e juntas criamos um projeto com mais outra amiga do grupo, a Anna Rita. Ele será compartilhado neste espaço dentro de alguns dias. Só pra dar um gostinho, foram 4 meses de trabalhos intensos, desde a concepção da ideia até sua concretização. Estamos ansiosas para contar a novidade e esperamos de 2013 um ano de muita dança, amizade, disciplina, comprometimento e, acima de tudo, bravura!

Aguardem!

Tenho recebido centenas de perguntas a respeito do início das atividades nas pontas. E embora o primeiro post “Você está pronta para subir nas pontas?” explique porquê cada bailarina tem seu tempo, ele parece não ter sido muito útil.

“Minha professora diz que tenho o pé forte. Estou pronta?”

“Tenho 14 anos e minha professora diz que minhas aulas de pontas só começarão no semestre que vem. Estou pronta?”

“Minha professora não deixa, mas em casa consigo danças nas pontas. Estou pronta?”

Pra todas, minha resposta é sempre a mesma. Depende! Depende de uma série de fatores físicos e comportamentais que sou incapaz de avaliar pelo blog. Por esta razão, parei de responder as perguntas e resolvi compartilhar um outro vídeo.

O professor Charles Maple, do Maple Conservatory of Dance, explica direitinho porque o trabalho de pontas não se inicia para todas as bailarinas em determinada idade. Há uma série de requisitos que devem ser avaliados antes de iniciar esse trabalho. Seja para bailarinas adultas ou adolescentes.

E para facilitar a compreensão, traduzi o vídeo e o transcrevi abaixo.

Pré-requisitos para o trabalho de pontas (por Charles Maple)

Iniciar o trabalho de pontas é um dos maiores ritos de passagem de uma aspirante a bailarina. É algo no qual várias alunas mantêm o foco e é um dos grandes grandes obstáculos no caminho de se tornar a aluna mais nova e entrar para o grupo das alunas mais velhas.

Em várias performances de ballet, as bailarinas principais geralmente dançam nas pontas. E há algo de tão gracioso que todas as alunas desejam ser como aquela linda jovem no palco.

O trabalho de pontas é muito mais árduo do que parece e pode ser também bastante perigoso para jovens alunas cujos pés ainda não são fortes o bastante e não apresentam a anatomia do tornozelo ainda apropriada, ou ainda não possuem habilidade técnica suficiente para controlar o resto do corpo enquanto estão dançando.

Na verdade, é uma combinação entre maturidade física e técnica para controlar os pés e os tornozelos o que determina se a jovem bailarina está pronta para subir nas pontas.

Mesmo garotas que estudem na mesma escola, façam as mesmas aulas e estejam na mesma idade, não é raro que algumas estejam prontas antes que outras. Esta prodigalidade possui um determinante genético. Porém, normalmente o que se considera é a capacidade da aluna em atender corretamente às correções em sala,  bem como o fato de já estar fisicamente forte. Considerando todos estes pontos, é que o professor avaliar se a aluna está apta ou não para manter a concentração mesmo utilizando os sapatos de ponta.

Aos 12 anos, dependendo da maturidade da menina, as porções cartilaginosas dos ossos dos pés, que são ainda macias durante a infância, tornam-se mais rígidas e as chances de  lesões diminuem bastante. Entretanto, isso não significa que toda aluna está pronta para subir nas pontas aos 12 anos de idade. Vamos obserar alguns pré-requisitos que determinar a maturidade para o trabalho de pontas.

Permuta dos dedos dos pés

Tentar levanter os dedos dos pés separadamente é um excelente método para avaliar o controle consciente da pequena bailarina sobre os músculos dos seus dedos.

Arquear a planta do pé

Na planta dos pés, há pequenos músculos cujo controle é essencial para subir corretamente na meia-ponta e em seguida nas pontas.

Extensão do Tornozelo

Uma extensão de tornozelo adequada é essencial para que a bailarina seja capaz de subir nas pontas. A extensão ideal do tornozelo para o trabalho de pontas é de 0 a +5 graus.

Extensão do dedão

A facilidade em empurrar o dedão do pé aplicando uma pressão sobre ele e não encontrar restrições durante o movimento é essencial para o trabalho de pontas.

Outras considerações

Os principais aspectos que devem ser levados em conta para avaliar a capacidade das alunas para o trabalho de ponta são: manter o controle do corpo, da postura, o controle funcional, o controle dos pés, a idade, o estágio de desenvolvimento, a mobilidade, a altura, o peso e, obviamente, a maturidade da pequena bailarina.

 

O uso das pontas não é anatômico. Pelo contrário, ele traz um enorme potencial de lesões. Então, o importante é zelar pela saúde da bailarina e não causar antecipar problemas desnecessariamente, não é mesmo? Prevenir é melhor que remediar!

A história das sapatilhas de ponta sempre foi assunto no blog e o uso de novas tecnologias para torná-las resistentes e com menor potencial para causa lesões também. É exatamente o que o vídeo abaixo explica direitinho.

Que o ballet está num momento “mainstream”, todo mundo sabe! Cisne Negro como um dos melhores filmes do ano passado, Natalie Portman ganhando o Oscar, noiva de Millepied, a moda sugando tudo e mais um pouco dos tutus e das sapatilhas, o barraco da Sarah Lane como dublê do filme, etc. O assunto começa até a cansar um pouco, né?

Mas surpresa mesmo foi a reportagem da Globo News sobre a Repetto, um dos mais renomados fabricantes de sapatilha (para dança e para as ruas) do mundo. Nossas companheiras de sapatilha, Cássia e Carol, postaram em seus blogs e é claro que preciso repetir a dose, né?

A reportagem conta a história da empresa desde sua criação, passando por uma crise financeira e retomando o prestígio nos últimos anos. Mas interessante mesmo é a observação da repórter quando o assunto é a customização das sapatilhas de ponta para as bailarinas profissionais da Ópera de Paris (a partir dos 10:30 do vídeo): “Se associar a grandes nomes  do ballet vai além de uma simples jogada de Marketing. Fornecer peças únicas, ajustadas milimetricamente para quem mais entende do assunto, permite aprimorar a tecnologia dos calçados fabricados em série“. É por isso que insisto sempre na importância do estudo, da pesquisa e do compartilhar informações até encontrarmos a sapatilha ideal. E a Repetto sabe disso também!

A Repetto é uma das queridinhas das bailarinas por associar-se facilmente à moda. Pra mim, é uma empresa que investe tanto em sua imagem que, dentre os fabricantes de sapatilhas, é a que mais se destaca em seus vídeos promocionais. Tanto no site quanto no YouTube, eles podem ser encontrados facilmente. Vejam este vídeo de 2007 que mostra bem a relação de todas as fases da bailarina com sua sapatilha.

Particularmente, nunca usei uma Repetto por algumas razões: é uma sapatilha muito cara, ainda de difícil acesso no Brasil e, me parece, com palmilhas muito resistentes. Por isso, as Repetto nunca me dispertaram curiosidade. Mas quem usa ou já usou, por favor, divida a experiência conosco.

Estava eu pesquisando, nos livros sobre sapatilhas de ponta, algum assunto interessante para postar quando me deparei com o testemunho da ex-bailarina Angela Reinhardt, autora do livro Pointe Shoes – Tips and Tricks. Primeira bailarina do Komische Oper de Berlim, ela, assim como todas nós, duvidou que um dia chegaria lá.

 

“Am I talented enough? I’m sure you’re going to ask yourself this question. Maybe you don’t really believe you have enough talent to dance, nor even to study to be a professional. Maybe you think you don’t have the ‘ideal’ body, or you’re hesitating because you haven’t been in a children’s dance group, or learned gymnastics, or done figure-skating. Then let me tell you something.

Most important of all is your interest, your sense of commitment, and your passion for dancing. With these, you can move mountains. Without passion, you can be talented, and certainly talent has something to do with special physical gifts, but these are no guarantee of success later on.

When I remember my childhood, my swaybacked legs, my little apple-like bottom and my almost complete lack of turn-out, anyone who looked at me must have thought: dance is not really for her. Even my brother had better physical attributes than I did. He could easily do so many of the exercises that I had to truggle at with clenched teeth. But he didn’ have the dream, nor did he feel passion for ballet.” 

 

“Sou talentoso(a) o suficiente? Tenho certeza que você se fará esta pergunta. Talvez não acredite que tenha talento o suficiente para dançar, nem mesmo para estudar e se tornar profissional. Talvez pense que não tenha o corpo “ideal”, ou hesite por não ter frequentado escolas de dança para crianças, ou aprendido ginástica, ou patinação artística. Deixe-me então contar um segredo.

O mais importante de tudo é seu interesse, seu comprometimento e sua paixão pela dança. Com isso, é possível mover montanhas. Sem áixão, você pode até ter talento, e certamente talento tem tudo a ver com atributos físicos, mas eles não são garantia de sucesso no futuro.

Quando lembro da minha infância, minhas pernas arqueadas, meu bumbum murcho e minha completa falta de senso de realização, quem olhava para minha devia pensar: dançar não é pra ela. Até meu irmão tinha atributos físicos melhores que os meus. Ele consegui fazer facilmente aquilo que eu lutava, rangendo os dentes, para realizar. Mas ele não tinha o sonho e nem mesmo a paixão pelo ballet.”

Espero que isso responda às perguntas de todas as apaixonados(as) que lêem o blog, que mandam emails e duvidam de sua capacidade e até mesmo seu amor pela dança. Vocês podem, meninos(as)! O ballet escolhe a todos. Mas cabe a você escolher a disciplina de um bailarino para se tornar um.

 

Assim como em qualquer meio, o ballet clássico também tem lá suas peculiaridades. Herdamos dos russos a obsessão pela simetria e pela padronização. Nos conhecidos ballets brancos (O Lago dos Cisnes, Giselle, La Bayadère), tudo é milimetricamente simétrico: a altura dos braços e das pernas, a distância entre uma bailarina e outra no corpo de baile, a composição coreográfica, a maquiagem, o esmalte, o posicionamento das mãos e da cabeça, as expressões do rosto. Tente encontrar alguma assimetria e você não conseguirá encontrá-la.

Ironicamente, não é isso o que acontece entre os fabricantes de sapatilhas de ponta. Já expliquei aqui que, até os dias de hoje, a fabricação das sapatilhas tem uma característica bastante artesanal. Cada uma é finalizada à mão e apenas parte do processo é fabril. Isso faz com que as sapatilhas apresentem diversas numerações, deixando bailarinas iniciantes e profissionais doidinhas à procura de uma sapatilha de tamanho equivalente. No Brasil, a situação ainda se agrava, pois nossa numeração padrão de calçados difere da americana e européia.

Os fabricantes de sapatilhas de ponta disponibilizam inúmeros tamanhos, larguras e durezas em seus produtos. Não é raro encontrar as letras S, M e W ou até mesmo as indicações X, XX, XXX e XXXX. Todos possuem marcações diferentes que variam não só entre marcas, mas também entre modelos do mesmo fabricante! Por isso, é tão importante identificar os símbolos e as marcações utilizadas pelo fabricante da sua sapatilha na hora de comprá-la, principalmente com a facilidade da internet.

Ainda assim, não é rara aquela sensação de engano. Que atire a primeira pedra à bailarina que nunca pensou: “Poxa… tenho certeza que comprei o mesmo número daquela sapatilha velhinha e que estava maravilhosa no meu pé. Mas por que diabos o mesmo número não deu certo?”. Não… não foi seu pé que inchou. E você também não engordou. O fabricante pode ter simplesmente utilizado um pouquinho mais de cola que o normal ou uma camada a mais de material resistente. Infelizmente, a característica artesanal desse mercado o torna muito vulnerável.

Para tentar minimizar o risco de comparações equivocadas, adaptei a tabela do Perfect Pointe’s Pointe Shoe Fitting Certification Program, curso de formação dos profissionais que ajustam sapatilhas de ponta (os fitter specialists), para a nossa realidade. Além disso, atualizei os modelos das sapatilhas. Muitos deles inclusive já saíram de linha.

Numeração das sapatilhas femininas

Numeração das sapatilhas masculinas

Largura das sapatilhas femininas

Largura das sapatilhas masculinas

É muito importante lembrar que, mesmo dentre modelos do mesmo fabricante, pode haver divergências nos tamanhos. Portanto, verifique se o modelo que você usa possui a numeração padrão do fabricante.

Além disso, vale lembrar que essas tabelas não apresentam 100% de precisão. Elas servem apenas como guias para a aquisição de sua sapatilha e diminuem sensivelmente a chance de erro. Mas lembre-se que o ideal é sempre estar presente para fazer o ajuste correto.

Quem quiser fazer o download das tabelas, clique aqui. E quem tiver informações complementares, pode contribuir mandando um email para pontaperfeita@gmail.com. Com a colaboração de vocês, posso manter as tabelas sempre atualizadas.

Foto tirada do site do Luis Fuente

Tá certo… O Ponta Perfeita passou o ano de 2010 no limbo, completamente abandonado. Vez ou outra, voltava para responder alguns comentários e emails que, para minha grata surpresa, não param de aumentar.

A razão disso atribuo a alguns fatos. O primeiro, sempre citado por aqui, é que há muito poucas publicações sobre o assunto publicadas em português. Já o segundo é por considerar o conteúdo do blog muito bom; resultado de muita pesquisa, dedicação e tempo.  Gasto em média três horas para casa postagem, dentre pesquisa e edição de texto e imagens. Isso sem contar a aquisição de livros e literatura técnica que muito me auxiliam. E adivinhem? Tudo em inglês! Faço isso por amor ao ballet. Faço isso porque sei o quão difícil é encontrar boas sapatilhas de ponta. Faço isso porque, neste meio, há muita crendice e pouca ciência. É… Criar um blog não é nada fácil!

A péssima surpresa foi descobrir que o Ponta Perfeita teve seu domínio antigo (hospedado no Blogger) novamente ativado e por outra pessoa. Ela não só plagiou o nome do blog como também parte de seu conteúdo e do Bailarina de Corpo & Alma.

Não sei se houve má fé. Prefiro acreditar que não. E me lembro perfeitamente que, quando decidi abrir o blog ainda em 2009, pesquisei muito para ter certeza se o domínio já vinha sendo usado ou se já havia outros blogs sobre sapatilhas de ponta. Não existia absolutamente nada! Aliás, os blogs de ballet não passavam de diários adolescentes absurdamente desinteressantes.

Como bem lembrou a Ana do Plano B, o trabalho de coreógrafos deve ser respeitado, os grandes ballets são belos porque são valorizados. O mesmo vale para outras esferas, seja no palco ou na web 2.0. Sendo assim, lembre-se que copiar os outros é fácil. Difícil é ser criativo e trabalhar arduamente, como toda boa bailarina.

Por diversas vezes, pensei em fechar o blog. A razão era não ter tempo suficiente para me dedicar da forma como os leitores merecem. Considero-me uma bailarina, mas não ganho a vida com o ballet e nem mesmo com este blog. Então, por respeito aos meus leitores, muitas vezes pensei em fechá-lo. Porém, sempre me lembrava que o número de acessos crescia e não podia deixá-los órfãos de informações tão valiosas e assim o mantinha ativo.

O episódio do plágio me deu novo gás para postagens. Usarei esta desagradável surpresa como incentivo ao não abandono do blog, embora uma das minhas resoluções para 2011 já era a publicação de pelo menos um post por mês. Vamos ver se funciona!

Quanto às regras para cópia de textos, apenas cite a fonte ou forneça o link do conteúdo do blog. Qualquer outra atitude será considerada plágio ou violação de direitos autorais, ambos considerados crimes. O antigo blog Le Monde du Ballet explica direitinho aqui.

O plágio do Ponta Perfeita comoveu, em poucos minutos, outras bailarinas no Twitter e juntas resolvemos fazer uma blogagem coletiva sobre o assunto. Os demais posts são encontrados nos links abaixo.

Amanda (Grand Jetté) – Crie, não copie!

Ana Curcelli (Ballet Adulto) – Plágio na rede: os autores e os blogs

Ana Paula (Vivendo e Dançando) – O balé, o plágio e a lei

Ana Yazlle (Plano B) – O plágio e a dança (ou fora dela)

Carol Lancelloti (Meia-Ponta) – Atenção para o plágio!

Cássia Pires (Dos Passos da Bailarina) – Sobre plágio e cópia

Carol Leme (Pirouette) – Plágio, para quê?

Isabela Sousa (Bailarina de Corpo & Alma) – Seja criativo, não copie!

Tays Alcântara (Razão para Dançar) – Unidas contra o plágio 

Se também quiser escrever sobre plágio e violação de direitos autorais no ballet e demais artes, junte-se a nós!

Queridas bailarinas,

Todas vocês estão convidadas a participar da pesquisa da colega Ana Paula sobre sapatilhas de ponta. Ana está pesquisando nosso mercado de sapatilhas e as necessidades das bailarinas brasileiras. O objetivo é fabricar sapatilhas adequadas às nossas necessidades. Fantástico, né?

Para participar, basta enviar o questionário para aninha_camillo@hotmail.com

Vamos participar! Vamos ajudar a Ana a criar uma sapatilha com a nossa cara. Sempre reclamamos que não existe pesquisa, literatura científica e nem mesmo literatura leiga sobre sapatilhas de ponta. Portanto, é hora de participarmos ativamente.

Eu já mandei meu questionário. E você?

Tenho recebido vários emails a respeito da durabilidade das sapatilhas de ponta. A reclamação é sempre a mesma: a sapatilha é cara e dura menos que 3 meses. O ballet clássico é realmente uma atividade bastante onerosa e o tempo de vida médio de uma sapatilha de ponta varia de acordo com a freqüência do uso, a técnica da bailarina (se tem força nos pés, se sobe tranquilamente nas pontas ou faz muito esforço, etc), os cuidados com a sapatilha e as modificações que podemos fazer nelas.

O shoemaster do Birmingham Royal Ballet, Michael Clifford, nos deu algumas dicas sobre como conservar nossas sapatilhas de ponta. Pesquisei mais algumas formas de aumentar a durabilidade e divido com vocês.

 

Alterne os pés das sapatilhas

Todo mundo sabe que sapatilhas de ponta não têm pé direito e esquerdo. Portanto, trocar os pés a cada aula pode dobrar sua vida útil, principalmente quando um pé é mais forte do que outro. Isso só não poderá ser feito se houver uma diferença anatômica muito grande entre o pé direito e o pé esquerdo. Caso contrário, alternar os pés é muitíssimo recomendado.

Controle a umidade

Durante as aulas, os pés suam bastante e a umidade diminui vertiginosamente a durabilidade da sapatilha, pois o material utilizado é bem absorvente. Primeiro, evite utilizá-las sem a meia-calça. Algumas bailarinas fazem isso sem saber que suas sapatilhas correm risco. Após a aula, preencha a caixa da sapatilha com papel toalha. Quando chegar em casa, pendure as sapatilhas em local ventilado. Se você mora em lugar frio, pode deixá-las próxima ao forno ou atrás da geladeira. Algumas bailarinas chegam a colocar as sapatilhas dentro do forno, mas acho que isso é excesso de zelo. Não se esqueça de desfazer as rugas do cetim durante a secagem. A secagem deve durar um dia inteiro dependendo da temperatura ambiente.

Conserve com cuidado

Algumas bailarinas mais desleixadas simplesmente jogam a sapatilha dentro da bolsa e as deixam assim. Após fazer o controle da umidade, dobre o calcanhar e enrole as fitas nele. Isso preserva o formato da sapatilha e das fitas.

Se mantiver as sapatilhas guardadas por um longo período de tempo, tome cuidado para que elas não sejam corroídas por insetos. Sim! Isto acontece! Neste caso, mantenha as sapatilhas em lugar bem frio durante o inverno e bem seco durante o verão. A umidade possibilita o crescimento de fungos e proliferação de insetos.

Faça um rodízio

Se puder, utilize sempre dois pares de sapatilhas em esquema de rodízio. Enquanto realiza o controle de umidade de um par, você utiliza o outro em sala de aula. Alterne as sapatilhas a cada aula e troque após uma hora de uso durante os ensaios. O rodízio das sapatilhas aumenta seu tempo de vida em 50%.

Faça uma costura especial na plataforma

Costurar a plataforma da sapatilha é bastante comum no exterior. No Brasil, são raras as bailarinas que têm esse hábito. Isso porque costurar a plataforma dá um certo trabalho, pois são utilizadas linhas e agulhas mais grossas e também um alicate. Apesar disso, fazer esta costura evita que o cetim rasgue com facilidade e proporciona maior estabilidade, pois a superfície da plataforma da sapatilha sofre um ligeiro aumento.

 

E se você tem mais alguma dica de como aumenta a durabilidade da sua sapatilha, por favor, compartilhe conosco, ok?

Por que é tão difícil encontrar boas sapatilhas de ponta no mercado?

Por que há tão poucos fabricantes?

Por que custam tão caro?

Nove em cada dez bailarinas clássicas certamente já se depararam com essas perguntas. Para manter este blog no ar, faço muita pesquisa e, vira e mexe, encontro discussões a esse respeito. Não é o simples fato de estarmos em um mercado altamente específico. É muito mais um paradigma do mundo do ballet que reforçam os problemas de encontrar uma sapatilha ideal.

A história do surgimento da sapatilha de ponta se confunde com a história do próprio ballet clássico, conferindo uma aura de encantamento sobre os sapatos que faziam as bailarinas flutuarem. As primeiras sapatilhas eram feitas de couro, papel, lã, tecido o que mais houvesse disponível para criar a sustentabilidade das pontas, mesmo que isso significasse conforto zero.

Portanto, durante muitos anos, se pensou que bailarinas somente deviam utilizar sapatilhas produzidas artesanalmente (o que, por sinal, acontece ainda hoje) e com materiais naturais e flexíveis. Tornar o processo de fabricação automatizado e substituir os materiais por plástico, o que traria maior controle de custos e menores preços, foi inaceitável por anos. Mas após algumas tentativas, a maioria dos fabricantes fez exatamente isso.

A Freed foi a pioneira, introduzindo no mercado as Studio I e II para iniciantes que não são fabricadas artesanalmente, mas que ainda possuem materiais naturais. Logo após, a tecnologia elastomérica da Gaynor, protegida inclusive por patente, se espalhou pelo mundo. No entanto, a maioria dos profissionais e estudantes ainda utilizam as sapatilhas tradicionais.

Várias aquisições, fusões e alterações de sociedade foram feitas, ao longo dos anos, entre os fabricantes de sapatilhas de ponta. Quando a Selva decidiu fechar as portas, em 1970, não houve comprador interessado em dar continuidade ao seu processo de fabricação. A Capézio adquiriu a marca Selva e interrompeu a linha de produção. Em 1987, a Frederick Freed Ltd foi comprada pela Chacott e agora a Repetto é propriedade da Gamba.

O fato de alguns poucos fabricantes exibirem interesse nessas empresas é uma evidência de que a atividade é pouquíssimo lucrativa e seu potencial de crescimento é limitado. Nesse mundo industrializado, é óbvio que esse é o fator determinante para que o mercado continue aquém de nossas necessidades. Para muitas dessas empresas, fabricar sapatilhas de ponta é um trabalho de amor ao ballet e por isso acabam subdividindo-se em atividades um pouco mais lucrativas como calçados e vestimentas para dança em geral.

A mudança ocorre a passos de formiga. Embora novas tecnologias e materiais mais duráveis tenham sido introduzidos, há ainda um longo caminho a ser percorrido e por isso é tão importante manter esse nosso diálogo. O Ponta Perfeita é apenas um canal, mas todas nós podemos contribuir de alguma maneira.

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